sábado, 24 de outubro de 2009

DOR EXISTENCIAL

A Dor como Lapidação da Alma
Um olhar crítico sobre a neutralidade de Deus


Por Rodrigo Queiroz

"O Homem é o princípio e pai de seus atos..." - Platão -

A religião na vida dos indivíduos se propõe um caminho de religare (religar) o ser humano à sua essência primária (Deus). Também é papel da religião ser uma espécie de bálsamo norteador diante às intempéries da vida.
Cada religião tem sua teologia (estudo sobre o THEOS, Deus), ou seja, sua dialética para explicar o Divino e conduzir os seres ao Sagrado.
Falemos aqui de Umbanda.
A Umbanda independentemente de suas variadas vertentes preserva, em todas elas, algumas crenças globais, como karma, evolução através da reencarnação, imortalidade, ação e reação, vidas passadas, livre arbítrio etc. Também é comum na maioria dos fiéis Umbandistas ter ido procurá-la em situações de desespero, aflição, ou como quero chamar aqui de “Dor Existencial”.
O fato de existirmos já implica a nós confrontos, desafios, dificuldades e naturalmente diante dos “fracassos” nasce em nós a dor. Dor emocional, psicológica, físico (doenças) e espiritual, tudo isso só acontece em quem existe, e assim chamamos de Dor Existencial.
Toda esta introdução se faz necessária para que você leitor acompanhe meu raciocínio, pois neste texto tento compartilhar contigo minha aflição, minha “dor existencial” referente a paradoxos conceituais que encontro dentro da Umbanda por parte de nós humanos, e deixo claro que não encontro estes conflitos na manifestação espiritual da Umbanda. Nesse sentido, lhe incluo nesta aflição, o que lhe faz ter duas opções: parar esta leitura agora ou ser provocado a refletir criticamente sobre os conceitos aqui tratados.
Vejamos algumas situações hipotéticas:
Caso 01 - “Chega ao terreiro uma jovem senhora desesperada, pois seu casamento está indo de mal a pior. Ela já tentou de tudo, foi em tudo que é religião possível e nada! Aos pés do Preto Velho ela se lamenta, chora e pede uma ajuda emergencial, ao que o Velho responde: - Fia, tenha paciência, você está pagando seu KARMA!”.
Caso 02 – “Um rapaz descobriu ‘repentinamente’ que está com um grave câncer. Em busca de uma resposta, vai a um terreiro. Consultando uma entidade, a mesma lhe aplica a sentença: - Filho você vai superar isso, pois esta é a VONTADE de Deus!”.
Caso 03 – “Um iniciante na religião de Umbanda pergunta ao seu Pai no Santo: - Pai, como a Umbanda explica o fato de existir tanta atrocidade aqui na Terra? Porque tanta guerra, assassinatos, corrupção? Porque Deus em Sua vontade não impede que isso tudo ocorra?
- Ah filho, acontece que isso independe da vontade de Deus, pois todos nós temos o LIVRE ARBÍTRIO que nos permite agir como bem entender e Deus não interfere nisso”.

Os casos acima, apesar de serem ficções, é algo que corriqueiramente acontece nos terreiros de Umbanda, e até aí não tem nada de errado. Vamos apenas pontuar algumas questões.
A ideia do Karma chegou para nós aqui no Ocidente de forma importada, quer seja pelas religiões de cunho oriental ou outras influências, como é o caso do kardecismo, e fatalmente toda manifestação espiritualista vai ter no karma algumas “respostas”. Entretanto, o que me aflige é a maneira que o ocidental tem interpretado e convivido com a ideia do karma, pois por mais que alguns estudiosos tentam explicar este conceito, pouco se entende e fica de forma superficial a constatação de que karma é sinônimo de sofrimento gratuito, pagamento de dívidas que não se sabe quando e onde contraiu, tampouco quem é o credor e, o pior dos resultados: a acomodação diante às dificuldades e desafios, uma aceitação imediata da dor existencial e a paralisação fatal da evolução pessoal.
No Oriente, o Karma está além de uma ou outra corrente filo-religosa, pois o karma é uma verdade presente na cultura de uma nação e a relação que este povo estabelece com este conceito é muito diferente da nossa. Lá é motivo de autossuperação. Certa vez, Dalai Lama questionado sobre o que era o Karma respondeu: “É o resgate de erros passados de forma consciente e satisfeita, jamais sinônimo de sofrimento e cegueira”. Aqui diríamos o contrário!
Apesar desta confusão cultural, uma coisa é certa: o karma traduz bem a ideia de que para toda ação haverá uma reação, e passe o tempo que for, você deverá responder pelos seus atos.

DEUS E SUA NEUTRALIDADE

Nos casos 02 e 03 encontramos o maior dos problemas. Penso que se Deus é bom, magnífico, fonte suprema e irretratável do amor e Onisciente, logo Ele não gera ou pretende a vingança, a ira, dor, o medo, apriosionamento ou castigo qualquer para sua Criação. Deus é BOM! Assim aprendi na Umbanda e por isso sou Umbandista, por me sentir livre e manter uma relação de amor e admiração a Deus, e não de temor ou culpa.
Afinal, o que é o Livre Arbítrio? Nada mais é que a liberdade de ação no mais puro sentido da palavra. O conceito de livre arbítrio é presente em muitas religiões e ensinado o tempo todo nos terreiros de Umbanda. Logo, se isso é uma verdade incondicional, então o problema é sério. Pois se Deus nos criou e nos dotou do livre arbítrio sei então que tudo o que acontece na minha vida é uma consequência de ações e porque numa ou outra situação devo aceitar que algo será a VONTADE DE DEUS?
Oras, se Deus cria a lei do livre arbítrio e pode a qualquer momento impor Sua vontade sobre nós, então Ele contradiz sua própria Lei?
Como não posso acreditar num Deus contraditório, devo aceitar que o erro de interpretação é nosso, que somos falíveis e limitados.
Penso que Deus em sua infinita sabedoria nos criou e nos deu o livre arbítrio, imediatamente encerra Sua participação em nossa existência, ficando sob nossa responsabilidade o que será daí por diante. Somente pensando assim é que fico maravilhado com esta força que chamamos de Deus.
Portanto, Deus é a energia, fonte constante da geração e manutenção da vida, ou melhor, de toda energia que vem antes das energias que condicionam e administram o Universo.
Portanto, Deus não interfere na vida de ninguém, nem a favor e tampouco contra.
É certo que uma argumentação desta partindo de um sacerdote custa muito caro, pois o sacerdote não é o “representante” de Deus na terra? Digo que não! Ao menos assim ensina a Umbanda... É muito prepotente acreditar que Deus está por aí distribuindo procurações para responderem aos homens por Ele. Percebo que Sua maior resposta sobre e para nós seja o fenômeno da vida e toda sua complexidade.
Finalizando esta parte quero solidificar a neutralidade de Deus para com sua Criação. Deus ao nos criar e nos dotar com o “crachá” do livre arbítrio encerra assim sua interferência sobre nós.
A respeito do livre arbítrio enquanto liberdade de ação, aproveito para evocar Aristóteles que define esta questão assim: “Nas coisas em que a ação depende de nós a não-ação também depende; e nas coisas em que podemos dizer não também podemos dizer sim. De tal forma que, se realizar uma boa ação depende de nós, também dependerá de nós não realizar má ação”.

LAPIDAÇÃO DA ALMA

Se Deus não interfere em nossa vida, como agir diante à dor? Como reagir quando sei que não é culpa e nem vontade de Deus e que Ele não poderá interceder por nós?
É aí que encontro a motivação para aquilo que Ele espera de sua Criação, a evolução.
Normalmente são em momentos de dor e crise que o indivíduo reflete sobre si, sobre sua condição e percebe sua falibilidade, limitação, e poderá aceitar sua real condição.
Quando, num momento de desespero e dor, o indivíduo mais facilmente poderá afastar de si o orgulho, a arrogância, a vaidade e sentimentos que mais o entorpecem e afastam do motivo final de sua existência, que é evoluir.
A dor existencial é a mais importante oportunidade que nós seres humanos nos colocamos afim de refletir, e quando com olhos abertos, poder encontrar os pontos que necessitam de ajuste para assim feito de verdade promover a lapidação da alma.
Todos encarnados vivem vários momentos de “crise” e “dor existencial” e nesta hora procuram Deus e religiões, tudo bem, porém a religião deverá nortear o indivíduo ao encontro de si mesmo, pois quanto mais o indivíduo se afina com seu compromisso de evoluir, mais facilmente ele se alinha ao Divino. Sabe por quê? Porque quanto mais alinhado consigo, mais próximo do Divino se encontra, pois o Divino não está fora, mas dentro de cada um de nós.
Lapidar a alma requer muito tempo, sinceridade e dor, pois o ferreiro precisa muito bater na barra de ferro, incandescer e gelar, pois senão jamais se tem na lâmina perfeita de uma espada real.
Portanto, na sua dor existencial você tem duas alternativas: lapidar-se e evoluir ou revoltar-se e nada aprender.
Quanto às implicações culturais e “manias” de linguagem, isso é muito forte em nós. Hoje mesmo encontrei um amigo que, ao me cumprimentar, perguntou como estava, ao que respondi: “Tudo ótimo, graças a Deus!?!”

Saravá!

Obs.: Você pode escutar a palestra ministrada por Rodrigo Queiroz sobre este tema na radioteca da Radio Umbanda Sagrada no www.ica.org.br

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

EDUCAÇÃO RELIGIOSA COMO INSTRUMENTO DE EVOLUÇÃO


“Mas ouço clamar de todas as parte: não raciocinai! O oficial diz: não raciocinai, mas fazei exercício! O conselheiro financeiro diz: não raciocinai, mas pagai! O padre: não raciocinai, mas crede!” – Kant –

Por Rodrigo Queiroz

“Fazia algum tempo que o João conheceu um terreiro de Umbanda, lá dentro ele sentia-se muito bem, era como se tivesse em casa. Pensava que realmente tinha encontrado Deus. Era tudo bonito para ele, gostava do som dos atabaques, as danças, enfim...

João fora informado que na Umbanda tudo o que alguém precisa saber os guias ensinam e que portanto não precisa se preocupar em buscar compreender todo aquele Universo simbólico e profundo que existe no terreiro e na Umbanda.

Após um tempo João encontrou dois grandes amigos de infância numa festa e após muito papo o José lhe perguntou se ele praticava alguma religião.

João respondeu naturalmente que estava frequentando um terreiro de Umbanda o que provocou um susto nos amigos que lhe indagaram:

- Mas meu amigo, isso é macumbaria, porque foi procurar um lugar destes?

- É isso mesmo João, eu já fui num lugar destes e o que vi não pode ser de Deus!

- Vocês estão enganados, é muito bom, só recebo bons conselhos, estou feliz!

- Mas é isso que eles fazem, enganam e iludem para depois levar pro inferno.

- João, está na bíblia que Deus não precisa de intermediários, para que então estes espíritos ficam baixando nestes lugares?

- Bem, é que precisam evoluir...

- Evoluir? Porque não evoluem lá de onde estão? Para que tantos "deuses"?

- Não são "deuses", são Orixás.

- É? E o que são Orixás?

- Bem...São...

- Estes tais Exus, que se contorcem, bebem, etc. Isso é exemplo de evolução?

- Estão aqui para nos ajudar...

- Mas são os mesmos que lá na Igreja que eu vou falam que vem destruir as pessoas.

- Mas...

- João, quais as crenças da Umbanda? Como que vocês explicam a criação do mundo, de onde viemos, para onde vamos? Qual a bíblia de vocês?

- Ora amigos, meu guia ainda não ensinou estas coisas... - João tentou desviar do assunto já envergonhado por não ter as respostas.

- Hã?!? Sei lá João, você é meu amigão e estou preocupado com você, pense no que falamos, você pode estar sendo enganado. Procure uma igreja, pare com este atraso de vida, veja, você nem consegue responder nossos questionamentos, isso é muito estranho...

João encerrou o assunto, depois da festa voltou para casa e antes de dormir ficou pensando no ocorrido. Aquilo o incomodou demais e considerou que seus amigos realmente poderiam estar corretos. Como João não gosta de incertezas e de sentir-se envergonhado por não saber falar sobre algo que lhe parecia bom, então achou por bem "dar um tempo" ao terreiro”.

Neste caso hipotético temos o retrato de que todo aquele que não conhece sua religião fica sujeito a perder sua religiosidade e esta fragilidade se dá de variadas formas e provoca no fiel a dúvida sobre a legitimidade espiritual daquilo que se por um lado fala ao coração por outro não corresponde à razão.

Em tempos de rápida evolução tecnológica e facilidade de informação, nós humanos que somos naturalmente seres racionais e precisamos usar esta condição para justificar nossa natureza, não conseguimos permitir que sejamos envolvidos por algo apenas pelas emoções, pois cedo ou tarde a razão cobra do coração uma satisfação sobre os caminhos e escolhas que estão sendo definidos.

Também vivemos um período de “guerra santa midiática” e este confronto é definido através de argumentos e convicção racional das opções definidas pelos indivíduos. Portanto não sou Umbandista meramente porque gosto do ambiente do terreiro, das pessoas, do cheiro, do som e do entrosamento com os espíritos.

Sou Umbandista porque sua Ciência (teologia) e sua visão cosmológica sobre a existência alimenta minha necessidade racional de saber sobre a origem das coisas, sobre Deus e sua atuação no Universo.

Sou Umbandista porque me sinto livre e responsável por mim, porque aprendi estudando-a que não temos prisões conceituais e que ser livre em pensamento e atitudes é na verdade o maior desafio na experiência humana.

Sou Umbandista convicto, em paz e envolvido porque através de profundos estudos dentro da religião encontrei respostas coerentes para entender a dinâmica de um terreiro, fundamentos para os elementos utilizados, compreensão sobre o que é a magia da Umbanda e aprendi inclusive a entender tamanha diversidade dentro de uma religião tão nova e territorialmente pequena.

Contudo, sou Umbandista porque me livrei da amarra de ficar esperando as respostas caírem do “céu” e fui motivado a ser um buscador e ao alcançar posso ser um facilitador para todos aqueles que sinceramente buscam.

Não sou Umbandista pela emoções ou porque vi coisas espetaculares que até “Deus duvida”, porém sou Umbandista porque ao conhecer e estudar esta religião fui imantado de tanto saber que minha alma ficou em paz, pois a falta de coerência que eu encontrava em outras vertentes religiosas foram na Umbanda supridas e assim me senti Umbandista a tal ponto que me sinto apaixonado e emocionalmente completo na minha busca à evolução espiritual. Falando em evolução espiritual percebi desta forma que somente através de uma educação religiosa é que de fato possibilitamos a evolução, pois entendi que ir ao terreiro, rezar, cantar, dançar etc, não garante a evolução de ninguém e apenas possibilita exercitar a religiosidade que só está naqueles que realmente entendem a religião, sua crença, seus preceitos, suas dinâmicas e sua visão cosmológica da existência, pois quando nada disso eu sei, logo quando um grande conflito me acometer, serei provocado a buscar uma “religião mais forte” ou coisa do tipo, pois não terei aprendido que de nada adianta buscar forças externamente e que como ensina as lições da Umbanda, nós temos a força dentro de nós e que Deus atua na Umbanda como em todo lugar e eu é que devo modificar meus padrões de comportamento que por vezes me cria situações desagradáveis.

Por fim leitor, eu aprendi a aprender e digo a você que busque o conhecimento sobre esta religião para sentir-se religioso e não permita que ninguém lhe iniba nesta busca, pois a busca ao saber é pessoal, intransferível e um patrimônio só seu e ninguém pode interferir na busca de ninguém pois se assim age é porque pretende mantê-lo na mesma treva da ignorância que ele se encontra.

Assim busque sua educação religiosa e acesse ferramentas que possibilitará a tal almejada evolução e ao alcançar uma consciência religiosa você sentir-se-á Umbandista de fato.

Eu ao buscar e encontrar o saber entendi que tudo o que sei é pouco e portanto aprendi que ainda que eu possa contribuir na busca de outros eu sou um eterno aprendiz...

Grande abraço, saravá!

* Síntese da preleção ministrada no ICA dia 09/10/09

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

TEOLOGIA DE UMBANDA - em Bauru

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Teologia de Umbanda Sagrada
Duração: 11 meses ou 88 horas

"Teologia é a ciência pertinente à Religião.
É o conhecimento que a Religião produz sobre si mesma.
Cada Religião tem a sua TEOLOGIA
A UMBANDA É RELIGIÃO
Portanto o conhecimento que ela produz sobre si mesma é
TEOLOGIA DE UMBANDA
É o estudo sobre o Sagrado na Umbanda"
- Alexandre Cumino -

Estudo sistematizado da Umbanda que visa fomentar o conhecimento global da religião Umbanda sem a pretensão de inferir nas particularidades dos terreiros, pois através da Teologia de Umbanda é possível compreender a multiplicidade conceitual e ritualística da religião que se manifesta de forma fragmentada nos milhares de terreiros existentes. Estudar Teologia de Umbanda é buscar compreender o Divino e sua manifestação na dinâmica Umbandista.
Este estudo foi canalizado por Rubens Saraceni através dos Mestres da Luz.

Programa do Curso:
1. Abertura
Teologia De Umbanda – Abertura
Organização da religião através de uma visão global
Umbanda: Uma Religião Com Seus Próprios Fundamentos

2. Diferenças: Umbanda, Candomblé E Kardecismo
A origem dos Orixás na Africa Nagô-Yorubá
Semelhanças e diferenças Umbanda e Candomblé
Origem do Espiritismo, Allan Kardec, semelhanças e diferenças da Umbanda

3. História Da Umbanda
Zélio de Moraes e Caboclo das Sete Encruzilhadas
Primeiro Congresso de Umbanda em 1941
Retrospectiva de alguns fatos e acontecimentos marcantes para a religião.

4. Mediunidade
Tipos de Mediunidade
Desenvolvimento Mediúnico:
Medos e traumas do desenvolvimento
Quebrando tabus e preconceitos
Médium Inconsciente, Semiconsciente e Consciente.
Animismo e Mistificação
A Importância Da Educação Mediúnica – Mitos E Preconceitos

4. Divindades
Deus e suas Divindades
Os Tronos De Deus
Orixás: Divindades de Umbanda
Divindades: As várias faces de Olorum no tempo e no espaço

5. Irradiações
As Irradiações Divinas E Suas Manifestações Nos Vários Planos Da Vida
Irradiações E Correntes Eletromagnéticas
Ondas Vibratórias, A Base Da Criação Divina

6. Introdução Da Gênese e os Fatores de Deus

7. A Gênese Divina de Umbanda Sagrada

8. Gênese Do Ser, Sete Planos Da Vida

9. Teogonia, Os Orixás e seu sincretismo:
Oxalá, Orixalá, Obatalá – Jesus Cristo
Oiá, Logunan – Santa Clara
Oxum – Nsa. Sra. Da Conceição e Nsa. Sra. Aparecida
Oxumaré – São Bartolomeu
Oxossi - São Sebastião
Oba – Joana D’ Arc
Xangô - São João Batista
Yansã – Santa Bárbara
Ogum – São Jorge
Egunitá – Santa Sara Kali
Obaluaiyê – São Lázaro
Nana Buroquê – Santa Ana
Yemanjá – Nsa. Sra. Dos Navegantes e Nsa. Sra. Das Graças
Omulu - São Roque
Os Mecanismos Da Fé
O Trono Do Tempo No Ritual De Umbanda Sagrada
Tronos Opostos
Desmistificando o Demoníaco (Lúcifer, Satã, Demônio, Capeta etc. à Luz do esclarecimento)

11. As Sete Linhas De Umbanda

12. As Cores e as Pedras Dos Orixás

13. A Hereditariedade nas Sete Irradiações

14. Orixás de Frente, Ancestre e Juntó

15. Chacras e os Orixás

16. Mistérios de Umbanda

18. As Linhas De Trabalho Na Umbanda
Os Guias De Lei De Umbanda
As Entidades Que Atuam Nas Linhas De Umbanda
Como Surgiram As Linhas De Trabalho Do Ritual De Umbanda Sagrada
Caboclo; Preto Velho; Criança; Baiano; Boiadeiro; Marinheiro; Exu; Pomba Gira; Exu Mirim; Ciganos; Malandros

19. Formas Plasmadas
Formas humanas
Formas angélicas
Formas animalizadas

20. Pontos De Força E Oferendas
Os Orixás e A Natureza
Os Pontos De Força Da Natureza
Porquê fazer Oferendas?
O Sentido Das Oferendas
As Consagrações de Materiais Condensadores de Axé

21. O Templo, Centro, Tenda Ou Terreiro
Os Espaços Religiosos
Os Altares
As Imagens
Os Templos
Assentamento
Firmesa
O Otá na Umbanda
Imantação, Consagração e o Cruzamento do Templo

22. Magia de Umbanda
Magia de Pemba
O Que é Magia
Elementos de Magia
Os Símbolos Mágicos
Os Pontos Riscados Na Umbanda

22. Banhos, Defumação E Descarrego

23. O Sacerdócio De Umbanda Sagrada
Os Sacramentos Da Umbanda
Batizado
Casamento
Funeral

Teologia de Umbanda é um curso voltado ao ensino de UMBANDA e seu entendimento mais amplo
enquanto religião.

O estudo vai além do ambiente de terreiro, sem interferir nos conceitos individuais e regionais, indo buscar os fundamentos de cada elemento de UMBANDA através de uma percepção Universão e global.

Mito, Rito, Simbolos, Doutrina, Liturgia e muito mais...


terça-feira, 6 de outubro de 2009

NOVIDADE DO ICA

Transmissão das palestras gratuitas ministradas toda sexta-feira no ICA - TEUS
Acompanhe semanalmente na Radioteca do site www.ica.org.br

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

TEMPLO GUARACY DO BRASIL E A INTERNACIONALIZAÇÃO DA UMBANDA


Por Rodrigo Queiroz

"Todo quadrante dinâmico, sob a lua crescente, laureado pelo trabalho, conduzirá à Luz".

- Pai Buby -


A Umbanda, como tudo nesta era moderna da globalização e múltiplas ferramentas de comunicação vêm sofrendo profundas renovações e determinantes influências que a primeiro momento altera o “velho padrão” e que, na verdade, promove a tal pregoada evolução.

Por muito tempo venho ensaiando este texto, pois não conseguia definir se o escrevia como um artigo jornalístico meramente informativo e “neutro”, leia-se: frio. Ou se eu me permitia narrar minha experiência pessoal, sensações, emoções e conclusões de pesquisa e vivência. Ou seja, um texto vibrante e caloroso!

Tentei por várias vezes a primeira opção e agora cansado de tentar venho transcrever o que gostaria de falar pessoalmente.

Em Novembro de 2007 foi notícia numa extensa matéria na Revista Época, sobre Pai Buby como “reinventor da Umbanda” e o Templo Guaracy, tal reportagem trazia à tona “uma” Umbanda sofisticada, moderna e... como posso dizer... “invejável”.

A matéria foi comentada e debatida em grupos virtuais, escutei muitas pessoas sobre esta reportagem e tive contato com todo tipo de opinião e de forma soberana predominava a opinião de que aquela Umbanda que Pai Buby propunha era demasiadamente “chic”, fora dos “padrões” de simplicidade que a Umbanda manifesta ou coisa do tipo.

Então me questionava, porque que o diferente, o inovador, o empreendedor é sempre visto com “cara feia”? Confesso que achei estranho alguns trechos da reportagem, mas me chamou muita a atenção a dimensão que “aquela” Umbanda tomava e o núcleo que ela penetrava, ou seja, os abastados. Me alertei com uma declaração de uma entrevistada que é frequentadora do Templo Guaracy que disse o seguinte: “Não entraria em um terreiro diferente deste”. Ela está se referindo aos terreiros da periferia, escondidos, mal tratados. Por fim, esta reportagem da Época, dando ênfase a estas questões, criou um mal estar na comunidade Umbandista. Guardei a entrevista, achei interessante e o tempo passou.

No início de 2008 recebi um mailing sobre o lançamento do Cd de Carlos Buby “Terra de Deus Repentista”, pela gravadora Batoke, era ele, Pai Buby, achei interessante, liguei na gravadora para marcar uma entrevista para a Revista Umbanda Sagrada, paralelo a isso eu e Ricardo Barreira (Umbanda Fest) iniciávamos o programa diário de rádio Voz da Umbanda, era o ano do Centenário Umbandista e muitas atividades e planos estavam sendo realizados. Enfim, a Umbanda Fest trouxe o show de Carlos Buby para o evento cultural “Revelando São Paulo”, nesta ocasião entrevistamos Buby na rádio e também pela TV Umbanda Sagrada. Isso aconteceu numa sexta feira e sábado, no domingo o Templo Guaracy completava 35 anos de atividade. Eu estive lá.

NA MATAGANZA

O Templo Guaracy tem um “templo de campo”, a Mataganza.

Ao chegar no local já me impressionei com a organização e quantidade de gente, todos envolvidos com alguma atividade preparando o local para logo mais iniciar o trabalho.

Apesar do frio, meu corpo estava quente com a energia do lugar, quando fomos conduzidos ao “templo de sapê” que me chamou atenção na reportagem da Época. Confesso que me encantei com a beleza do ambiente, a limpeza impecável e a paz predominante. Mas diante disso tudo, desejando que aquilo se multiplicasse, ainda buscava por observação respostas sobre o fundamento maior de toda aquela grandeza? Por que a Umbanda ali se manifestava com tanta sofisticação? Luxo? Pois pude observar que tudo ali utilizado nas edificações e decorações eram de ótima qualidade e muito bom gosto. Não posso deixar de citar a sala de recepção com dois modernos computadores onde se cadastrava todos que ali chegavam. Mas estamos num sítio, pra que tudo isso? Não era mais fácil uma prancheta e papel? Será que os “puristas” da Umbanda estavam corretos? Ou profundamente equivocados?

Maquinando tudo isso na minha cabeça fui interrompido, Pai Buby vinha nos receber. Já disparei um questionário para entender os fundamentos particulares daquele ambiente (“templo de sapê” ou quioscão como ele denomina) que adentramos. Buby a tudo respondia, em momento algum desviou de nenhuma questão, muito solicito, foi matando minha sede de saber. Curiosamente, aquilo que parecia distante da minha realidade, em teoria cosmológica é muito próximo do que pratico. Então lembrei de uma velha lição: “Umbanda é assim, independente da forma, é apenas uma essência!”

Depois fomos conduzidos ao “Solo Sagrado”, antes passando por um caminho simbólico que narra o processo de geração, evolução e assentamento dos seres. O “Solo” é uma área aberta, de terra, com uma estrutura para fogueira no centro e rodeado de pequenas casinhas que são os assentamentos dos Orixás e onde os iniciados recebem os preceitos e graduações na egrégora guaracyana. Num ponto estratégico está a sala do babalaô, de onde Buby vê tudo o que acontece lá fora.

Entramos nesta sala, outro ambiente que mescla o rústico com o sofisticado. A energia de todo o local era vibrante, o que para mim como médium e crítico já basta em qualquer lugar que pretende ser ou manifestar a Umbanda.

Ali dentro, Pai Buby se colocou a disposição, respondeu a todas as perguntas que tive vontade, não poupei, tirei a limpo o que não gostei na tal reportagem da Época, e com um pouco mais de liberdade fiz perguntas realmente particulares para o sacerdote, homem e artista Carlos Buby. Pasmem! Em nada, em nenhum momento ele titubeou, calou-se ou saiu pela culatra com aquela típica resposta: "Isso é mistério" ou "Não posso falar sobre isso" ou pior "Um dia você vai saber".

Esta prontidão que devemos encontrar em qualquer líder religioso me gratificou totalmente. Consegui através desta postura, conhecer a filosofia, a crença, os preceitos e fundamentos da "egrégora guaracyana". Foram muitas horas de conversa, fiquei exausto de perguntar, esgotei todas as dúvidas e posso responder ao questionamento levantado acima. Os ditos "puristas" da Umbanda estavam completamente equivocados sobre o que significa o Templo Guaracy e Pai Buby.

É importante deixar claro que por algum motivo maior Pai Buby concedeu esta entrevista, foi a terceira dos 35 anos de Templo Guaracy. Percebi que muitos dos presentes estavam de certa forma "assustados", pois Buby além de ser muito reservado, é avesso a exposições quando o assunto é Umbanda, não gosta de gerar polêmica e para tanto se mantém recluso e concentrado no seu trabalho pessoal dentro da Umbanda.

A GIRA

Como citei foram muitas horas de "prosa". Quero citar algo interessante.

Logo no inicio da conversa na sua "sala sacerdotal" começou uma movimentação no solo sagrado, era a curimba preparando os instrumentos, logo mais começaram a ministrar um toque, uma marcação cinco minutos antes do horário marcado para iniciar os trabalhos, era um aviso ao grupo. Pontualmente iniciaram outro toque, estavam chamando Pai Buby (apenas pelo toque), prontamente Buby interrompeu a conversa, levantou-se, nos convidou a sair e deu um comando, outro toque foi ministrado e começou a vir lá do quioscão os médiuns dançando, organizados, felizes, pelo caminho iniciático até chegar ao solo sagrado. Eram centenas de médiuns. Quando todos estavam posicionados, foi então aceso a fogueira central, que é um forte símbolo aos Guaracyanos. Pai Buby conduziu a abertura dos trabalhos, mesclando pontos em yourubá e português, vale ressaltar que Buby preserva uma forte influência africanista nas vestimentas e na liturgia enquanto eu esperava algo totalmente diferente, vi um ritual como é natural nos terreiros de Umbanda.

Buby mantém vários "pais e mães pequenas" cuidando de pequenos grupos de médiuns e consulentes, isso agiliza o trabalho e descentraliza a prioridade ao babalaô, isso no meu ponto de vista é humildade gerencial. Ali pude entender porque ele agrega tanta gente.

Quando conferiu que tudo ocorria tranquilo, voltou para a sala e continuamos a conversar.

Depois de quase duas horas ele sai novamente e inicia o encerramento do trabalho. Feito isso, volta novamente á sala e continua nos dando atenção.

Sua equipe é extremamente preparada. Em sua ausência, a curimba, sob a atenção impecável do Ogã, não deixa a energia parar de circular e comanda o trabalho com maestria.

SOFISTIFICAÇÃO E SIMPLICIDADE

O Templo Guaracy confirma que simplicidade não está na forma, mas sim na alma, no interior, no comportamento.

Enquanto uns querem acreditar que um terreiro simples, é um terreiro com bancos desconfortáveis, cadeiras quebradas, parede pra rebocar ou pintar, porém mantém a doutrina do medo, comportamento centralizador e arrogante. Afastam-se da verdade.

Simplicidade e humildade é um estado de espírito e não a forma como se apresenta.

Assim é o Templo Guaracy, extremamente sofisticado, Buby não poupa esforços em garantir a beleza do ambiente. No entanto a filosofia praticada é estimuladora da mais verdadeira simplicidade, bondade e colaboração com o mais necessitado.

Na atividade religiosa constatei a presença de pessoas de todas as classes sociais, e ali impera a cultura da ajuda mútua, ou seja, quem pode mais, ajuda quem pode menos.

Vou contar um caso que Pai Buby nos relatou:

"Certa vez estava com 7 pessoas recolhidas (processo iniciatório). Eles ficam aqui na Mataganza exercendo uma série de atividades. Limpando, capinando, consertando, estudando, etc. Nesta ocasião eu tinha 6 homens bem sucedidos, trata-se de grandes empresários e homens abastados. Um deles não, era bem simples. Mas sempre estava ali presente ajudando no que precisava, feliz. Nesta semana do recolhimento, percebi que ele estava calado, sem o brilho nos olhos que lhe era comum. Fazia tudo ali, mas estava triste. Aquilo me incomodou muito e então lhe questionei sobre o que acontecia e ele muito simples não queria falar. Insisti e ele se abriu: - Acontece Pai que minha casa foi destelhada, estou sem moradia praticamente e não sei o que fazer.

Aquela notícia me assustou e encerrei o assunto. À noite, na hora da janta, eu e os sete recolhidos estávamos tomando um caldo. Eles passariam por mais uma iniciação antes de serem liberados, então falei: - Estamos no final da feitura de vocês e a algo importante a ser feito para que isso se conclua. Contei o caso do outro irmão e propus: - Precisamos juntos resolver isso.

Em sete dias a casa destelhada estava totalmente reformada e pronta para a moradia daquele irmão sem perspectivas."

Este é um exemplo de irmandade que se ajudam mutuamente.

Pai Carlos Buby é um artista, músico que inclusive abandonou sua promissora carreira para exercer o sacerdócio. Porém é desta alma artística que brota esta percepção sofisticada das coisas. Tem que se levar em consideração o seu feeling empreendedor.

Ele conta que o Templo Guaracy começou como todo terreiro, de forma muito simples, na casa dos pais e por quinze anos foi assim, poucas pessoas envolvidas e muitas dificuldades.

- Como foi que você mudou esta realidade? Pergunto.

- Quando comecei a realmente prestar atenção nas necessidades das pessoas e ajudar nisso.

UMBANDA INTERNACIONAL

Temos notícias de terreiros de Umbanda em outros países, o que é normal. Mas nada parecido com o que acontece com a disseminação do Templo Guaracy fora do Brasil. Pois não se trata de brasileiros que foram para outros países e lá mantém a Umbanda, isso é exportação. O conceito de internacionalização vamos ver adiante.

Não há registro de divulgações sobre as atividades do Templo Guaracy de forma externa ou promocional. O próprio site dá uma noção bem superficial do que seja de fato esta estrutura. De modo, que fica indicada a despretensão de Pai Buby em massificar a cultura Umbandista que ele ministra.

Porém foi como um fenômeno que sua internacionalização aconteceu. Pois é, numa determinada ocasião, um grupo de Suíços soube da Filosofia Guaracyana e veio ao Brasil conhecer de perto o Templo Guaracy, ficaram maravilhados, passo seguinte, receberam as instruções e feituras necessárias para mais tarde serem os fundadores de um Templo Guaracy no exterior. O curioso é que são de fato suíços, não tem o "gingado" brasileiro, são culturas diferentes, não tem o vulto da escravidão ou a noção de colonização que os pretos velhos e caboclos remetem ao nosso imaginário e cultura interna. O que de fato fala ao coração do gringo? O que leva um suíço despencar aqui no Brasil em busca do aflorar mediúnico para manifestar a cultura brasileira?

A questão é que não se trata disso. Umbanda como bem alertou o Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas “é a religião que vem para apaziguar os povos até o fim dos séculos”. Portanto esta essência Divina irá vibrar no coração de todos os povos.

TEMPLE GUARACY DE GENÈVE, SALLE GUARACY, 51, RTE DU NANT-D`AVRIL, 1214 VERNIER, este é o endereço do Templo Guaracy na Suíça. O primeiro Templo fora do Brasil.

Após a constituição do Templo na Suíça, foi consequente a busca de outros estrangeiros à Filosofia Guaracyana e hoje está presente em Paris e Strasbourg na França, Quebec no Canadá, Washington, Califórnia e Nova Iorque nos Estados Unidos, Graz na Áustria, Sintra em Portugal e Santo Domingo na República Dominicana.

Em poucos Pai Buby foi presencialmente conhecer, pois os dirigentes são preparados no Templo do Brasil.

SACRALIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA

Se imaginar um francês incorporado com um Preto Velho já é inusitado, mais distante ainda é pensar a língua portuguesa como dialeto sagrado. Pois então, no Templo Guaracy é!

Quando pergunto como é a comunicação dos guias nos respectivos países, espero como resposta que os guias falam o idioma de seus médiuns, imaginando quão engraçado deveria ser um Caboclo falando em francês, vem a resposta "assustadora": "Só falam em português no interior do Templo"

"A Umbanda não é brasileira? Então da mesma maneira que para o Candomblé o Yorubá é uma língua sagrada, para a Umbanda a portuguesa há de ser" explica Pai Buby.

Pai Buby orienta que os estrangeiros aprendam a língua portuguesa, pois é regra que este idioma seja presente nos Templos. Buby institui assim, que a língua sagrada da Umbanda é o português.

Independente das diferenciações culturais dos países que mantém o Templo Guaracy, tudo segue o mesmo padrão, existe uma latente preocupação de manter a originalidade e essência da raiz.

- Você faz ideia da sua importância na internacionalização da religião na história da Umbanda? - pergunto como afirmação.

Então é a primeira vez que Buby altera sua expressão abrindo espaço para uma fisionomia de dúvida, responde: "Nunca pensei nisso, reconheço que há uma expansão política da Umbanda, mas nunca pensei nesta hipótese, de modo que este fenômeno não é planejado, pois a Umbanda é assim, se expande sem restrições".

CURIOSIDADES

Pai Buby é autor de centenas de pontos cantados, entoados por muitos terreiros, sabe aquele: “Nesta casa de guerreiro...Ogum...vim de longe pra rezar...Ogum...” pois então, é dele. Nas décadas de 70 e 80 ele gravou pela Cáritas Gravadora, o disco, Abertura e Encerramento, São Jorge Guerreiro e outros.

Seu último grande sucesso musical, presente no Cd “Terra de Deus Repentista”, “Feiticeiro Negro” tornou-se um hino da resistência e luta pela liberdade religiosa.

"A essência é a mesma, o que difere é o método" - Pai Buby

Leitor, aqui está apenas uma vírgula do que gostaria de transmitir sobre o Templo Guaracy, mas seria impossível num artigo, pois o tornaria cansativo.

A pretensão é apresentar a você outra maneira de fazer Umbanda, que é forte e crescente sem usar nenhum tipo de apelo promocional, pois ela acontece naturalmente.

Para muitos Pai Buby e o Templo Guaracy são desconhecidos, o que é uma pena, pois se trata de uma estrutura de grande importância para a nossa história religiosa.

O Sr. Caboclo Guaracy, mentor responsável por tudo isso, como um Mestre da Luz que é, deixa a nós um legado que deve ser estudado, dissecado e compreendido por todos. Sua dinâmica não é simples, mas simples é sua fala, seus gestos e seu amoroso acolhimento com seus filhos espirituais.

Caboclo Guaracy encontrou em Pai Buby um comprometido e leal instrumento, que no que lhe compete como médium, não mede esforços para fazer valer no plano físico, o projeto da "Tribo Guaracy Astral".

É impossível conhecer este trabalho de perto e ficar indiferente e não ser tocado ou mesmo provocado a melhorar em algo.

Pai Buby é na verdade um tímido sacerdote de Umbanda que ao se dedicar ao próximo e pela Umbanda priorizou a ensinar aos seus filhos a gratidão e a importância da união e que o terreiro de Umbanda é o retrato do estado de espírito daqueles que ali frequentam e não por acaso que estes filhos de fé são comprometidos em fazer das estruturas físicas um lugar bonito, limpo e sofisticado, pois sofisticada é a forma como a filosofia Guaracyana ali se manifesta e bonitos e limpos são estes irmãos encarnados depois de encontrarem o Templo Guaracy em suas vidas.

Pai Buby tem o comando de tudo nas mãos, mas é um generoso delegado que dá a cada um aquilo que já estão prontos para assumir e de quebra, perde sua timidez ao abraçar um violão e cantar para sua tribo, aquecendo e alegrando a vida destes que é a sua vida.

Por fim, quero deixar minha gratidão ao Sr. Caboclo Guaracy pela oportunidade vivida, valei-me Caboclo, aceite este texto como minha oferenda na multiplicação de vossa missão.

Saravá!

"Umbandista escreve sua história com pemba" - Pai Buby