“A Umbanda como religião libertadora, têm no seu estudo a garantia da Liberdade”
- Rodrigo Queiroz -
A Umbanda é uma religião muito nova, 101 anos, que traz em seu colo influências de muitas culturas e religiões, sendo predominante a cultura religiosa africana, fruto do nosso culto aos Orixás –Yorubá, divindades cultuadas na Nigéria.
Claro que a forma como a Umbanda se relaciona com os Orixás é bastante diferente que o Culto de Nação.
Cito isso pois um termo típico da cultura africana é usada dentro da Umbanda, trata-se do que se chama de Tradição, afinal o que é tradição?
Para não me alongar quero adiantar que o conceito de Tradição no africanismo também é diferente do que ocorre na Umbanda e como sou Umbandista só posso neste momento falar de Umbanda.
A Umbanda neste primeiro século evoluiu muito e vai evoluir, cresceu e vem tomando forma, ainda não dá para prever sua forma, pois ela ainda está no processo de firmamento e construção de uma identidade.
Desde Pai Zélio de Moraes, sempre existiram reuniões no terreiro para estudos acerca da Umbanda e da espiritualidade. O tempo foi passando e há mais de 30 anos, Pai Ronaldo Linares, baluarte da religião que conviveu com Pai Zélio de Moraes, criou o curso Sacerdócio Umbandista, vale citar que anteriormente Pai Jamil Rachid já ministrava um curso com esta temática, ao que consta Pai Jamil foi o pioneiro neste conceito. O motivo é que os candidatos à Sacerdote de Umbanda, que tenham sido outorgados pelos guias espirituais, pudessem receber uma estrutura teórica e conceitual do que se trata o Sacerdócio.
Centenas de terreiros de Umbanda surgiram a partir destes líderes conscientes e conscientizadores.
Toda religião, independente de seus templos, criam núcleos de estudos sobre sua Teologia (estudo de Deus na religião), sua Teogonia (estudo do panteão Divino da religião) e até mesmo a Teosofia (estudo da Sabedoria Divina), bem como assuntos correlacionados e estranhamente nas outras religiões isso não é um problema, muito pelo contrário, isso nada mais é que a constatação de uma organização e estruturação da religião, pois sabem seus idealizadores que um fiel consciente é um fiel convicto, que um fiel consciente é um fiel fortalecido, que um fiel consciente é um fiel producente.
No entanto, nos últimos tempos falar de estudos dentro da Umbanda é um problema, não para os fiéis preocupados com a evolução, mas sim para os tiranos dirigentes que evocam a tal Tradição, como se tradição fosse o enclausuramento do fiel ao terreiro. Pois pensam e transmitem a idéia de que Umbanda em toda sua simplicidade e complexidade se resume ao terreiro ou às suas experiências pessoais. Presos no orgulho não reconhecem a importância de estudar os vários assuntos que envolvem a religião Umbanda, pois também não a estudam e temem serem questionados. Querem na verdade fechar “seus filhos” numa ostra e ser reconhecido como o único detentor do saber.
Tradição espiritual pelo que aprendi no terreiro, conversando com Preto Velho, Caboclo, enfim, é evolução constante, ampliação dos horizontes da consciência e do coração, de modo que apenas a realidade do terreiro é uma forma.
Particularidades do terreiro e da espiritualidade, somente o convívio oferece, o dia a dia no terreiro, as prosas com os guias, o convívio com o pai ou mãe do terreiro, com os irmãos, com o toque do tambor, com a fumaça do turíbulo, ah...estas coisas não tem estudo que transmita, claro que não! Mas explicam.
Por isso não podemos confundir Tradição com Ostracismo.
Precisamos repudiar estes discursos que promovem a alienação dos religiosos Umbandistas, que centraliza os incautos entorno do pseudo-mártir.
Umbanda precisa de estudos e escolas organizadas da mesma maneira que precisa se politizar, pois tudo isso corrobora para o seu crescimento, alicerçamento e reconhecimento.
Eu militarei pela educação Umbandista, pois acredito que este é o caminho da evolução.
Eu sinto a Umbanda, eu vibro a Umbanda, eu amo a Umbanda, desde o primeiro contato com ela, mas tenho que confessar, ela fica mais encantadora, colorida e brilhante a cada novo conhecimento que tomo sobre ela, pois vou percebendo o amor de Olorum, que criou um religião onde Ele pudesse se manifestar sem véus, ainda que tentem cobri-lo com uma Burca (traje feminino que esconde toda a mulher, como dita a Tradição Islã).
Obrigado aos grandes baluartes da Umbanda que por serem estudados sempre contribuíram para uma Umbanda estudada.
Por isso digo que a Umbanda não é a religião ideal, mas o ideal de religião!
Saravá!
Rodrigo Queiroz
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