segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

2012 – O APOCALIPSE E A UMBANDA

2012 – O APOCALIPSE E A UMBANDA

Reflexão sobre a Angústia no processo de evolução

Por Rodrigo Queiroz

E se for verdade? Tudo bem que muitas foram as profecias de “fim do mundo”, desde sempre. Sabemos que no ano 100, depois no ano 500, ano 666 [número da besta], ano 1000, 1666, 2000, agora 2012. Tá certo, o mundo não acabou como presumia as dezenas de previsões passadas, porém já são passadas, e agora? E se os Maias, seres tão evoluídos estiverem com a razão?

Hollywood fez uma obra prima de efeitos especiais no filme 2012 tratando deste assunto, claro que de uma forma bem peculiar, do tipo, os EUA poderá salvar o mundo com quatro “arcas high tech” que só os americanos são capazes de produzir, claro!

Bem, este texto não pretende fazer uma crítica cinematográfica e tampouco falar do calendário maia, entretanto, pretende refletir sobre a idéia do fim do mundo iminente e a angústia que isso nos gera.

Parece-me até que existe certo prazer em “ruminar” ou mesmo acreditar que a qualquer momento ou nas datas profetizadas o fim ocorrerá e inevitavelmente somos provocados a pensar: - E daí? Não no sentido de descaso com o fim, mas no sentido de pensar no que fazer, no que pensar.

Um filósofo contemporâneo, Martin Heidegger através da sua teoria sobre o “ser no mundo”, aponta a “angústia existencial” como a clareira no ser. Ou seja, é na angústia, que o ser se ilumina, pois é no momento de angústia que o indivíduo é levado a pensar em si, refletir sobre sua condição, sua realidade, sua estrutura. Neste momento que o indivíduo volta para si e sem máscaras e ilusões pode reconhecer-se no mundo, no seu meio, reavaliar-se e provavelmente iluminar-se no processo em que se auto lapida. Este fenômeno numa leitura espiritualista diz que neste momento em que o ser promove sua evolução.

A idéia de um possível “fim do mundo” num período em que você esteja vivo no mundo é profundamente angustiante e necessário para a avaliação da espécie perante seu mundo, neste caso seu planeta.

É dolorosamente angustiante imaginar morrer por força maior e desastrosa, não é tão doloroso imaginar morrer simplesmente, é difícil processar a idéia de separação daqueles que você ama, filhos, esposa, mãe, pai, irmãos, amigos, família, pois a idéia de “fim do mundo” projeta uma mensagem para nosso inconsciente de desintegração, ou seja, de fim de tudo aquilo que você pensa sobre você.

E como a Umbanda se posiciona acerca disso?

Claro que falar em nome da Umbanda é sempre espinhoso, portanto falo a partir da minha vivência na Umbanda.

Ao consultar a espiritualidade sobre as profecias de “fim do mundo”, em síntese o que temos de resposta é que o planeta não se dissolverá assim tão facilmente, é real os alertas de cuidado com o planeta afim de não caminharmos para uma extinção da espécie. A espiritualidade ainda explica que esta necessidade de prever o “fim” de tempos em tempos é um meio de levar a massa à reflexão sobre si. No entanto, a espiritualidade orienta que esta preocupação sem precedente não é importante, pois independente do mundo acabar em 2012 ou em 2070 ou seja lá a data que for, não podemos perder o foco do real sentido de existir neste momento presente. Que é a nossa evolução e ascensão e que se isso ocorre todo o meio evolui conjuntamente.

A Umbanda ainda nos coloca diante da nossa falibilidade, ou seja, podemos “morrer” no segundo diante, isso é um fato e no entanto não pensamos nisso, muito pelo contrário, nos permitimos a mal tratar o corpo físico com uma série de alimentações tóxicas, vícios diversos, etc. Esquecendo neste comportamento que você é importante e que somente você responde sobre si.

Pensar sobre o fim coletivo parece gerar um sentimento de isenção de si sobre o todo e também tranqüiliza a consciência, pois já que tudo vai para o “espaço”, deve ter um bom lugar reservado para eu continuar a trajetória. E bem sabemos que não é assim que funciona.

A Umbanda tenta a todo instante livrar os indivíduos dos grilhões das ilusões. Promovendo uma reflexão crítica sobre si, seus atos, comportamentos, conceitos, etc, onde o momento presente é impagável e infinitamente mais importante que o amanhã, já que o futuro será o resultado do hoje que já é reflexo do ontem. Portanto, como você tem preparado seu presente?

Na Umbanda, aprendemos a lidar com a angústia, com as dores da existência, refletindo sobre nossas ações e procurando fazer o melhor e de alguma maneira minimizar os erros. Mas isto é para aqueles que reconhecem seu papel na existência, isto não serve para aqueles que querem acomodar-se na idéia de que os espíritos podem ou devem fazer algo para si.

Outro ponto importante é que para nós Umbandistas, a vida é eterna e morrer nada mais é que mudar sua realidade vibratória para um padrão mais sutil [espiritual] e o que somos aqui continuaremos sendo no plano astral, ainda corremos o risco de descobrir que o desencarne é algo muito simples e rápido como um piscar de olhos.

Enfim, o Apocalipse é agora, renasça para a realidade!

2012 passará e teremos um período de muita luz e energia positiva no planeta, mas não se entusiasme, já existe outra profecia que diz que de 2016 não passará, pois seremos engolidos por um monstruoso tsunami que engolirá toda a crosta terrestre e parece que só sobreviverá os bem aventurados de grande fôlego.

Viva hoje como deseja que seja seu futuro!

Vida longa a todos! Saravá!


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2 comentários:

Elis Cavalcante disse...

Mais uma vez, sou surpreendida pela lucidez de Rodrigo e seu povo, alinhados com meu pensar e do povo de cá.
Obrigada por iniciar minha manhã com o prazer de ler.
Saravá!

carlina disse...

Gostei muito do que escreveu Rodrigo, temos mesmo que refletir; porque temer um gigantesco apocalipse diante de tantas atrocidades acontecendo no mundo e em todos os campos. Como disse um amigo: “... o ser humano consegue ser melhor que qualquer desastre natural no quesito "fazer mal a si mesmo”.

De superação em superação, viva hoje da melhor maneira possível, amanhã será um novo dia.