sábado, 16 de janeiro de 2010

ÁRVORE SEM RAIZ NÃO GERA FRUTOS

Ditado pelo espírito Sr. Caboclo Tupinambá

Por Rodrigo Queiroz

Corriqueiramente ocorre algo estranho dentro da Umbanda em seus milhares de templos, terreiros e tendas. É a dissociação angustiante e incompreensível de filhos espirituais, afastam-se de seus sacerdotes e templos de origem para aventurarem-se numa rotina de "macaco" pulando de "galho em galho" (terreiro em terreiro) para mais tarde tentar o seu próprio terreiro e infelizmente na maioria das vezes gerar só transtorno na sua vida e na vida daqueles que incautamente se envolvem com o indivíduo que foi cegado muitas vezes pela vaidade, orgulho ou sentimentos mal resolvidos agindo por impulsos ou mesmo numa tentativa de provar a si mesmo que a "razão" sempre esteve a seu lado.

Organizando este discurso, quero dizer que o processo iniciático dentro da Umbanda é algo rígido e longo. Porém parece que solidez e persistência tem sido presente em parcos filhos de umbanda num mundo tecnológico em que tem se criado a cultura das facilidades imediatas.

Até um tempo anterior, um filho de Umbanda que nascia mediunicamente e espiritualmente num determinado terreiro, passaria ali por todas as etapas do seu desenvolvimento mediúnico, iniciações espirituais e magísticas, sem contar a necessidade de ter que conviver rotineiramente com as atividades do terreiro para poder através da prática aliada aos estudos internos este indivíduo ir amadurecendo e evoluindo como instrumento de Lei.

Minimamente são necessários sete anos de exercício mediúnico e religioso para o indivíduo ser considerado ou mesmo "coroado" com alguma responsabilidade maior dentro da corrente mediúnica e com apenas 14 anos de prática intensa na mediunidade ou na dirigência de uma corrente mediúnica o indivíduo poderá ser consagrado um Sacerdote da Lei de Umbanda e assim sucessivamente.

Tudo isso normalmente ocorria dentre de um mesmo terreiro e pelas mãos do seu Sacerdote Iniciador, salvo quando a mudança de terreiro ocorria por motivo de fatalidades como o fechamento de um terreiro, falecimento do dirigente, enfim. Sobretudo preservava-se o sentimento de família astral.

Obviamente os tempos mudaram, tudo evolui rapidamente e as mentes retrógradas e paralizadoras que não querem participar da evolução serão naturalmente esquecidas e deixadas para trás, no entanto alerto sobre o comportamento imediatista e orgulhoso em muitos dos casos.

Hoje um desentendimento qualquer entre filho e pai no santo é motivo de dissociação. Um desacordo nos costumes ou crenças acaba com o lealdade e a fidelidade do filho com o terreiro, muitos poderiam ser os exemplos. O que não ocorre é uma postura madura com a intenção real de acertar os desentendimentos.

Acontece que em todos eles imperam a insensatez em uma das partes, a falta de transparência ofuscada pelo orgulho, pela vaidade ou mesmo pelo negativo instinto de desagregar.

Não digo que os processos precisam ser como na antiguidade medieval onde o discípulo era simplesmente submisso ao mestre. Aliás nas verdadeiras relações entre mestre e discípulo sempre reinou a fraternidade, respeito, lealdade e troca de conhecimentos.

Mesmo quando por algum motivo o discípulo era forçado a distanciar do seu mestre não se perdia por isso a raiz, o papel real entre um e outro.

O terreiro de Umbanda é como uma árvore nasce primeiro semeado e cultivado pela espiritualidade regente de um médium que já está pronto espiritualmente e consciencialmente para agregar pessoas e dirigir a espiritualidade daqueles que se aproximarem dele. Vai desenvolvendo sua raiz que tem um ponto de origem, o terreiro anterior, o sacerdote do novo sacerdote que o consagrou e o reconheceu como um multiplicador da Umbanda. Esta árvore vai sendo cercada por ervas daninhas e parasitas naturais, se bem preparado, o sacerdote eliminará tudo com tranquilidade para que esta árvore prospere e cresça saudávelmente. Vai crescendo conforme as pessoas vão cultivando e fortalecendo este terreiro, os galhos vão aparecendo e depois de muito trabalho e tempo, quando outros médiuns estão amadurecidos e alimentados pela força da árvore (terreiro e sacerdote) então começa a multiplicação dos benefícios espirituais, são os frutos que só aparecem em árvores que tem raiz e não a esquece como não deixa de cuidar jamais.

Só poderá produzir bons frutos aqueles médiuns e filhos de Umbanda que não esquecem e honram sua origem, que não tenta vender a idéia de que nasceu pronto ou que não teve origem nas mãos de guias espirituais e de um sacerdote.

É natural ocorrer conflitos nas relações, ou mesmo a dissociação, porém a negação da origem e a depreciação da origem resulta no corte da raiz espiritual e portanto o ressecamento de uma árvore que jamais produzirá frutos.

A Umbanda é uma religião de liberdade, que capacita os indivíduos a usar sua potencias espirituais e materiais em benefício do todo. De modo que todos tem algo a oferecer. Isso não significa confundir liberdade com libertinagem mediúnica.

Respeito, sensatez, honra, lealdade e transparência são valores intrínsecos à Umbanda.

Luz e força a todos que são filhos diletos da Umbanda.

Caboclo Tupinambá - Dezembro 2009


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10 comentários:

Barracão de Xangô disse...

Axé Meu Pai
Quero lhe dar os parabens por este magnifico texto.
Como sempre as entidade, falam e transmitem conhecimento que mt vezes os umbandistas não querem ver.

Peço permição para repassar este texto paras os meus filhos

Axé
Pai Nuno de Xangô

Barracão de Xangô - Terreiro de Umbanda

Portugal

Cire disse...

Caro Irmão Rodrigo!
O texto publicado nos remete a reflexão e obviamente cada um encontrará diversas respostas, a minha aproveito para compartilhar aqui, descrevendo o que segue:
Devemos analisar que muitos e muitos terreiros, sejam de Umbanda, angola, Quimbanda, Camdomblé etc, comandados por ex filhos de santos de algum nobre sacerdote ou não, cometem absurdos enormes no tratamento e iniciação dos filhos, que sempre entram com muito respeito, fé, esperança e respeito na nossa seara, mas com o passar do tempo e as vezes nem muito tempo, o caldo desanda, muitas vezes por erros do próprio sacerdote, por misticismos encontrados em todos os terreiros entre outras coisas. Isto tudo infelizmente prejudica nosso trabalho.
Sei que se eu fosse descrever aqui todos os exemplos que já vi em terreiros por aí a fora neste Brasil, eu poderia ocupar diversas páginas, este não é meu intuíto aqui, apenas desejo chamar aos leitores, para revirar as lembranças que creio cada um tem em mente com ricos exemplos e refletirmos, discutindo sempre maneiras de treinarmos não apenas os neófitos, mas também as pessoas que foram iniciadas sem o completo conhecimanto da ritualística e educação necessária a um verdadeiri sacerdote com terreiro aberto. Não estou aqui para ditar regras, até porquê, cada nação, digina, terreiro etc tem seu ritual e creio, nada pode ser julgado, mas sim melhorado.
Paz a todos
Cire

Rodrigo Queiroz disse...

Salve Pai Nuno, pode utilizar o texto sim.

Cire, você tem toda razão.
Por isso o texto enfatiza a questão do orgulho, vaidade e arrogância, pressupondo que o terreiro em questão seja legítimo e sustentado pela Lei de Umbanda.

Abraços

Anônimo disse...

Esse texto me atingiu.Iniciei-me numa casa, a zeladora faleceu. Até que conheci Um zelador, comecei a participar e ele ia me preparar para ser mae pequena.Apos meses minha mae ao visitar meu irmao em um presidio, ficou detida por porte de drogas.O zelador não me deu ou não pôde me dar apoio,estava sozinha com um tio deficiente. Mesmo assim não desisti e ingressei na faculdade de Direito. Não tinha tempo, trabalhava, estudava.Até que um dia foi pedido para que eu fizesse um emprestimo no banco para comprar um espaço, eu já estava desencantada.Qdo pedia ajuda pra libertar minha mae, nada era feito, não que a Umbanda faça milagres, mais ela era inocente, fazer algo,pelo menos pra eu não me sentir tão só.Esquerda toda semana, bebidas e etc.Um dia resolvi sair, meus guias não estavam querendo ficar, eu não sabia o que fazer. Meu zelador ameaçava pelo medo da furia das entidades. Mais eu não tinha medo, falei que os meus orixás iam me segurar. Aí reencontrei um amigo no ônibus e ele me falou sobre o terreiro dele, aí fui, gostei dos zeladores.Só que eu fazia faculdade, estava já no segundo ano e aos domingos visitava os parentes.Qdo chegava a gira já tinha começado e eu levava bronca, carregada do presídio, mais não dava tempo dedescarregar, ia direto, mal comia.Qdo a visita era no sábado, eu lavava roupas no domingo, limpava minha casa e ficava exausta.Eu não tinha dinheiro pra deitar pra santo.Era cobrada, mais aquela doutrina não era pra mim, porque sacrificava-se bichos , na festa de cosme sacrificaram um cabrito e 9 frangos e bebemos o sangue misturado.Até que um dia percebi que não dava pra me dedicar aos ,
estudos, mae e irmao, trabalho, casa, tio deficiente e o centro, alguma coisa tinha que ser sacrificada. Aí cheguei na Mãe de santo e falei: olha, eu estou sem tempo, pago pra darem almoço e janta para o meu tio na semana, mais o final de semana é minha responsabilidade, além da mulher me dar um desconto e dar comida pra ele qdo vou fazer visitas, mais pra vir pro centro não dá, senão fico o dia inteiro fora de casa e eu só tenho o final de semana pra lavar roupas e limpar a casa, por isso, vou dar um tempo e depois volto; a mulher virou um bicho, disse que eu estava abandonando a Umbanda, meus guias e que agora minha mae não ia sair da cadeia. Eu falei, então é isso que a senhora me deseja e fui embora.Minha mãe foi absolvida em segunda instância, pouco depois meu irmao saiu também.Simples mais de coração. Nossos caminhos foram se abrindo, eu estava perdida, precisando continuar meu desenvolvimento, encontrei um velho conhecido que tinha um terreiro de candomblé, sempre, sempre pedindo para os meus guias me mostrarem o caminho, fiquei nessa casa uns 6 meses e vi que o candomblé né comigo não.Fiquei mais um tempo vagando, aí encontrei uma pessoa do meu bairro, mas como ele estava no bar, pensei, vou nada, esse homem deve usar drogas. O reencontrei através de uma conhecida meses depois, comecei a conhecê-lo e ver que não tinha nada a ver e que aquele dia foi um caso fortuito, a mãe dele tinha a casa há mais de vinte anos, só que faleceu, ele era Pai pequeno dela. Então foi pedido pelos guias espirituais que ele reabrisse a casa e elereabriu, eu já frequentava a Umbanda desde o 4 anos de idade, tenho 29 e agora acho que me encontrei. Estou no quinto ano de direito, esse ano me formo. E fui convidada pelo baiano dele, Sr. José Clementino, para ser suspensa como mae pequena da casa. Tenho que me preparar muito,falei pra ele, sou nova aqui, ele falou, mais não é nova na Umbanda e faz tempo que você merece isso. Vou me preparar muito mais pra merecer a oportunidade. Estou muito feliz e espero merecer a oportunidade e espero também poder me desenvolver, estou lendo o livro dos espiritos, pois quero ser uma médium completa, que saiba discernir os vários tipos de problemas espirituais e o tipo de espiritualidade de cada um e já comprei o Cavaleiro da Estrela Guia, meu novo zelador disse que quer estudar,que ótimo.Alguns abandonam a mbanda por nada, eu nunca abandonei minha crença e tudo isto escrevi pra dizer no fim, que

Anônimo disse...

Continuação
Pra dizer que não desisti da minha crença e que muitas vezes não são os filhos que são irresponsáveis em suas escolhas e sim ,que hoje, muitos Zeladores não têm amor pela religião, fazendo com que ela se torne um mercado de trabalho para o próprio sustento e que se preocupam mais com outras coisas do que com os guias espirituais.Aí, os filhos vão embora, ficam perdidos e muitas vezes partem para outra religião.O que denigre a Umbanda são as pessoas que usam o seu nome para praticar as mais horríveis subversões.

Rodrigo Queiroz disse...

Olá "anônimo", saravá!
Muito obrigado por compartilhar sua história, linda lição de superação, amor e fé!
E aproveito para usar seu relato e dizer que tudo aquilo que você passou de desapontamentos nestes pseudo-terreiros é fruto das práticas avessas à Umbanda.
Este texto trata da situação em que o terreiro é legítimamente sustentado pela Lei de Umbanda e coloca a situação para aqueles "filhos" que se perdem no comportamento egóico.
Abraços

Divina Umbanda disse...

Olá Rodrigo!!!,

Lindo texto, mas gostaria de uma opinião sua, sempre escutamos em nossa religião que devemos confiar em nossos Orixas e guias, ter fé no trabalho que eles realizam amparados pelas Divindades e confiar em si como instrumento mediunico, mas Rodrigo quando essa confiança em nós e nos nossos pode nos tornar um medium egoico?

Rafael Marcondes.

Rodrigo Queiroz disse...

Olá Rafael obrigado pelo carinho!

Confiar nos guias espirituais sempre.
No entanto é preciso ser coerente e sincero consigo, analizar-se, pois muitas vezes nossa vaidade, orgulho, arrogância, egoísmo, etc. Toma a personalidade de nossa "intuição" e levamos a crer que algumas intenções obscuras estejam calcadas na suposta vontade dos Orixás.
É necessário um longo caminho de prática, convivio e estudo dentro da Umbanda, para o indivíduo amadurecer sua mediunidade e suas emoções, para então poder saber discernir quando uma coisa é vontade própria e a outra é dos Guias.
Daí então o respeito, convívio e enraizamento numa família espiritual poderá propiciar um campo fértil na sua evolução.
Abraços

Vivian Werneck disse...

Gostei muito do texto. Que sejamos todos a favor da gratidão e contra a mesquinhez da vaidade, que é exatamente o que causa tanto transtorno. Eu concordo muito com o que diz "conhece-te a ti mesmo", pois se você realmente compreende sua força e aceita sua fraqueza, consegue perceber como todo o dito é importante.

Anauê!!

Anônimo disse...

¡Ah! al fin encontré lo que buscaba. A veces se necesita mucho esfuerzo para encontrar la pieza útil incluso pequeñas de información.